Jovens abrigados de Rio do Sul serão capacitados pelo projeto Novos Caminhos



A tão propagada ideia de ensinar a pescar em vez de dar o peixe, além de oportunizar um futuro diferente para os jovens que vivem em Casas de Acolhimento, é o que tem motivado a Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC), Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) e Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ/SC) a expandirem o Programa Novos Caminhos pelas diversas regiões do Estado. Na manhã desta terça-feira, 16 de junho, as entidades assinaram o termo de adesão para a inclusão da região de Rio do Sul no projeto. A iniciativa, lançada em 2013, visa capacitar os jovens de 14 a 18 anos, que estão sob a tutela do Estado, para o mundo do trabalho.

Representando o presidente da AMC, Juiz Odson Cardoso Filho, a Juíza Jussara Schittler dos Santos Wandscheer, 1ª vice-presidente da AMC, enalteceu a iniciativa em prol dos adolescentes que se encontram em vulnerabilidade social. “Diante do forte debate em torno da redução da maioridade penal, apontada por muitos como única solução, vejo este projeto como uma solução tangível. Crianças fragilizadas, vindas de lares desestruturados, tendo a oportunidade de construírem um futuro diferente e promissor. É preciso deixar nosso egoísmo de lado e pensarmos juntos que futuro queremos deixar para os nossos filhos”, ressaltou.

O Corregedor Geral da Justiça, Desembargador Luiz César Medeiros, também ressaltou a importância do projeto na vida dos jovens abrigados. “Os abrigos são como braços que acolhem esses jovens, mas apenas um período, é preciso mais. É necessário continuar abraçando esses jovens e dar-lhes um futuro diferente, com base sólida. E é isso que este projeto representa e que, graças a esta parceria com a iniciativa privada, tem encurtado caminhos e colhido bons frutos”, destacou.

O presidente da FIESC, Glauco José Côrte, disse que, embora a instituição seja reconhecida pelo envolvimento com temas como logística, investimentos e competitividade, o trabalho com os jovens na área educacional faz parte do dia a dia das entidades da FIESC. \”Este trabalho com as pessoas que estão nas casas de acolhimento se insere perfeitamente nos nossos objetivos, entre os quais o de permitir que os adolescentes possam ingressar no mundo do trabalho com competência. Mais que profissionalizar, queremos formar bons cidadãos\”, disse.

Ainda durante o evento, o Juiz Renato Guilherme Gomes Cunha, que recentemente obteve remoção para a Vara Criminal de Tijucas e que até então respondia pela Vara da Infância e Juventude de Rio do Sul, destacou a importância do trabalho conjunto. “Normalmente, nós (Juízes) nos sentimos sozinhos e isolados diante dos desafios que encontramos na área da Infância e Juventude. O programa vem para agregar valor a um serviço que já é bem realizado, mas que tem suas limitações”, ponderou.

Segundo dados do TJ/SC, o Estado de Santa Catarina possui 170 programas sociais, que acolhem 1,3 mil crianças e adolescentes, dos quais 373 têm mais de 14 anos. Desde que foi criado, o Novos Caminhos já atendeu 228 jovens com os cursos de iniciação profissional do IEL. Desse grupo, 89 realizam ou realizaram cursos profissionais (técnicos, de qualificação e de aprendizagem industrial) do SENAI. O SESI totalizou 173 matrículas nos cursos da educação de jovens e adultos e de prevenção a drogas, álcool e DST. Mais de 30 jovens já foram encaminhados ao mercado de trabalho.

Em Rio do Sul, 23 jovens serão beneficiados pelo programa que integra o Movimento A Indústria pela Educação. O Novos Caminhos já está em andamento em outras regiões, como Oeste, Norte, Grande Florianópolis, Sul e Vale do Itajaí. Este ano, o programa será implantado também em Caçador, Brusque e Joaçaba.

Como funciona: O projeto é desenvolvido em três etapas. Primeiro, os jovens participam do Programa Profissional do Futuro. Trata-se de um conjunto de nove capacitações que visam à aquisição de conhecimentos, atitudes e comportamentos importantes para o exercício de qualquer profissão. Esse programa foi elaborado com base em competências consideradas importantes por diversas empresas-clientes do IEL/SC e que podem ser desenvolvidas para estagiários, estudantes e demais profissionais em início de carreira.

Na segunda fase é realizado um trabalho de identificação do nível de escolaridade dos jovens, encaminhamento para cursos de aprendizagem, qualificação ou técnico. Posteriormente, são encaminhados para a indústria. A terceira etapa é o acompanhamento dos jovens por cinco anos.

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